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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

sempre.

No pálido amanhecer de uma andorinha
tentei,
esquecer os acontecimentos vividos,
fraco,
obstinadamente fui vencido pelo ódio
forte,
sentimento que me consome os ossos,
perdi,
a guerra contra os meus defeitos...

Tentei passar um esparadrapo na solidão que me deixaste,
um desastre,
os sedativos aplicados pelo Doutor Tempo foram paliativos,
recrudeci,
e sua doença crônica foi disseminada entre todas as minhas veias
me entupi,
de métodos alternativos de distração coletiva
e não esqueço
do quanto bom
você és
 e foi
me desespero com o medo  que sua falta
nos faz,
sempre.

andi valente

i!

E o começo foi
o fim aproximou-se
a morte ruiu-se em lágrimas
o sonho teve um destino azedo
o mar esbravejou junto as pedras
as nuvens fizeram uma interminável sombra
as andorinhas voaram raso ante o brilho do sol
eu
fui
nada
menos
ou
foi
você
tudo
em
demasia
um
mar
ou
uma
tempestade
um rio
ou
uma
inundação
i
N
O
M
I
N
Á
V
E
L
!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Grátis.

O que me resta além das sobras
o que me altera fora os dentro e os de fora
o que me instiga fora a murcha flor da espiga
o que me acalma ante tanta brutalidade fina
ai como a mente pede respostas prontas,
ai como a alma pede verdades rápidas
ai como a lama me espera sem sugar minha mente
ai
como posso tanto e nem sei o quê?

O que me resta é viver das brechas do meu amanhecer
é sentir o calor de um verão enfurecido
é trabalhar naquilo que me foi dito
é calar os ouvidos
é silenciar os maiores pedidos
é não ter tempo para os pequenos zunidos
é o que me resta
uma tempestade de vento no meu eterno cimento,
já que o resto
é grátis
e de graça nada me interessa.

andi valente


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

De repente!

E o repente tocou-me
de repente...
Aquela voz do outro lado do nada
tinha tudo o que o meu coração sonhara;
a candura de uma boa criatura,
a rima doce de uma bela formosura,
o traço quente
o rosto cheio
a anca dura
o beijo tosco
a sutileza
uma suavidade sua
uma alma pura
um jeito.

De repente e entre meus
repentes,
fiz o que me era  comum;
minha ausência presente,
minha permanente falta,
meu deslumbramento vazio
meu caos beligerante
comodismo
falta de mim
erros
desencontro
desacertos
e o que era certo
se tornou um deserto
e o incerto corou meus medos
latentes,
fugi pra me sentir forte
fui ausente
perdi
a chance de me ter
contigo
de repente...

andi valente



Prospecção de felicidade


Quem sabe a casa vire mundo
e o mundo vire dia
e o dia seja único
e o único seja você
sempre!

Quem sabe o relógio não dispare
o alarme não assopre
e os sinos não dobrem
e você
toque o fundo dessa alma
afoita!

Quem sabe o sábio não se engane
o carnaval não se atrase
o mudo não fale
o rico não esbanje
o destino não desande
quem sabe eu não o ame..

Quem sabe se
eu não decidir ir embora e
não procurar respostas próprias
nem amores prontos,
quem sabe eu não viaje dentro
de mim a procura de paisagens novas,
receitas prontas que eu mesmo
resolvi não digerir.

Quem sabe seus olhos brilhem fundo
minhas aspas se dissepem pelo mundo
quem sabe
tudo?

andi valente




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

tempo de solidão

Houve um dia
em que dois corações
despeçados por outros caminhos
se encontraram.

Ouviu-se dizer aos quatro cantos
que um amor desenganado
enganado pelos erros de um passado,
ressente-se de um amor presente.


Futuro incerto de amores recém descobertos
pasmem, melindrou-se com o suplicar dos inocentes
fustigou um olhar matreiro diante de tanto medo
maldou o que se poderia dizer, um amor nascente.

Como dois e dois são vinte e dois
esse novo amor parou no tempo de solidão
viu-se o fim como se assiti a última sessão
derramou-se lágrimas,como se chora
diante de um caixão...

andi valente

domingo, 6 de fevereiro de 2011

quem vai!

Há no mundo uma legião de adoradores
eu sofro por isso,
pessoas que amam em demasia
a alma alheia.

Transferem para você a responsabilidade
da cura de suas feridas expostas
pelas intéperies dos dias,
transformam você no que realmente
elas queriam ser.

Falta de amor próprio?
Quem tem os segredos do amor?
Quem pode condenar essa manada desavisada
que o tempo urge,
corre desesperado,
quer ver o nosso fim
quer nos matar antes
que possamos pensar
que quem morre
de amor
morre do mesmo jeito
de quem nunca se amou
ou de quem não soube
amar,
quem vai nos alertar?

Quem vai acordar essa
letargia coletiva
findar os medos
resolver os atropelhos
explicar os por
quês,
quens
quando
houver respostas
quem vai?


andi valente