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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Velho vício!

Velho vício
de querer ter
o que já tenho
de somar
o que é de menos
multiplicar problemas efêmeros
dividir sentimentos plenos

A roupa encardida
dependurada no varal
de minha história
vicia minha nau presente
me tira o prumo
viro indigente

Velho vício
que embriaga meu agora
me cega,
me incomoda,
bebo água
peço esmola
meus rompantes sempre estão
fora de moda

As paineiras de outrora
sumiram do dicionário
meus pecados
de tão velhos e borrados
foram suspensos pelo destinatário
mas a plantação,
essa,
colho sem perdão

Velho vício
de esperar a esperança perdida
Achei que pudesse parar de queimar
Pensei, oras,
pensei que fosse alguém sem importância
mas sou muito importante
minhas mãos não vivem sem mim...

Velho vício de ser infeliz
de chorar para não sorrir
mas tudo termina qualquer
dia desses
antes que o sol esmoreça
e a lua se esqueça
até a teimosia de não querer ser feliz...

andi valente






sábado, 28 de julho de 2012

Era uma vez...

Era uma vez
um homem
que viu o sol de perto
a lua nas escadas da semana
a terra por dentro
o rio ao amanhecer
encheu as várzeas de esperança
criou um mundo que era seu
e esqueceu de viver...

Era uma vez
um homem
com outro nome ao certo
que escreveu os medos a céu aberto
plantou segredos em corações cegos
se fechou no mundo de animais velhos
plantou, semeou
e colhe
a seca da ilusão eterna...

Era uma vez
como outra, incerta
que o mesmo homem
volta em rompantes etéreos
dirigindo as retas
por círculos inquietos
disposto a semear amor
a um passado desperto...

Era
com eram outras tantas
que o fim começa do fim
que tudo retorna
ao princípio
A Senhora Tempo
paciente,
conta a corrida das horas
tecendo minutos na certeza
que a felicidade não demora,
é agora,
é agora...

andi valente


domingo, 3 de junho de 2012

tudo aquilo que penso

Todo poeta tende a ser amoral
hipócrita em seus artigos
indecente com seus medos
mente descaradamente
para ouvir os urros de uma
plateia demente.

Todo poeta se irrita facilmente
vomita versos carentes
sofre de amor doente
crê em crenças de gente
Sente um vazio silente.

Todo poeta chora,
não se contém
extrapola...
Todo poeta fode
com as mágoas
de qualquer senhora...

Poeta, poeta meu
Esquece o Romeu
E trás pra mim a Julieta
que me prometera!

Todo poeta tende a tecer
versos complexos
incompletos...
Todo poeta reza
pra Nossa Senhora da Rima
Certa!

Calai-vos ordinários!
O silêncio da mente me surpreende!
Todo poeta recita,
ressuscita toda sua vida
nas palavras nuas
de suas poesias...

andi valente

Ladainha do novo

Tudo em mim é demais
quando sangro, é drama
quando cinjo, é cama
quando sofro,
ardo em chamas

Sou um latifúndio
um vazio marcado por arrepios
Peco
não recomendo meu ego

Ilusão
que castra meu agora
foge
e vai embora

Oh Lua
Que de seu trono magistral
Veste de paz e harmonia
Esse filho que agoniza

Tudo em mim desfaz
quando tanjo, danço
quando franjo, latejo
quando sofro,
recomeço e desço

Sou perdulário andante
Físico, químico de instantes
Realizo fórmulas mentais
Canalizo
e canto

Ilusório
Fábula que uma história só
Fabrico ideias
Regojizo
Santo!

Oh Luz
Que me conduz
Produz em mim
Verdades

Tudo que é demais, desfaz
quando calmo, arranho
quanto aos salmos, me engano
quando sofro
sorrio
e recomeço no novo...

andi valente

Sangue nas mãos

O vermelho iludiu meu ânus
As vestes azuis coroaram minha cobra coral
Vesti-me de preto
Fui ao velório de minhas naus
Andante sobre o céu da primavera
Me perdi no roxo das falácias tacanhas

Essa cobra que me segue
Essa veste que cega as réstias de um semblante sóbrio
Essa forma uniforme que guerreia minha auréola
Esse sorriso marrom me empobrece
Some de mim força
que consome meu arco-íris tupiniquim

Entre tantas palavras ruins
O som do silêncio me aquece
Defronte ao norte
Corro,
Forte ao lado da sorte

Sangue que corre vermelho
Ciente de mim
Fortaleza de águas claras
Destreza que teima em sonhar
Paralelas que não se cruzam
Cruzamentos enfileirados de sentimentos
Passarela verde
Natureza crua
Fim

andi valente

sábado, 26 de maio de 2012

Eterno veneno!

Vou fugir de novo
vou refugiar-me nas páginas de um jornal 
jogado no quintal,

Meus espelhos estão trincados
Meu vocabulário emburreceu meus egos
sou comum demais e isso não me satisfaz! 
Espelho, espelho meu, onde foram parar minhas interrogações!

Descompliquei meu complexo tecido adiposo
fui alimentar meu orgulho com  lágrimas de um programa legal,
minhas locuções adverbiais ficaram roucas

Esqueci-me que o sujeito sempre habitou em mim
Ninguém entende
e quem se importa,
um dia vou ser doutor de hipócritas...
Espelho, espelho meu, existe alguém tão louco quanto meus "eus"!

Mudei,
o peso da minha mamadeira,
Chorei,
pelo leite que não derramei,
Fiz,
rezas mesmo não crendo em milagres
e as promessas...
Quebrei...

Espelho, espelho meu,
não responda tais perguntas pois respostas
escondi  detrás de travessuras cruas... 

Teimei comigo
diante de estacas de pano
que bagaço nunca serei,
mesmo sendo espantalho rei...
E o orgulho minha senhora,
ora, ora...
Um dia tudo melhora...
Quem disse que pra ser louco tem que ser bondoso também!

Faço tudo pra não felicitar minha infelicidade,
dei voz de prisão ao desespero,
sigo a rouquidão da multidão... 
Meu mundo teima em acabar
Mas sigo dizendo...
Não, não vou me amar!
Louca prisão que me corrói.

Não basta ser, tem que acontecer
tem que gastar todo mal prazer
escrever,
escrever,
escrever,
até o dia amanhecer...
Espelho, espelhos meus, até quando vou matar o tempo
morrendo e vivendo 
nesse eterno veneno!

andi valente

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

todo nosso!

As vezes e tão somente em vezes
me surpreendo comigo
e meus rompantes
diante da tenacidade de seus sentidos

Subo meus olhos e vejo
Os mesmos olhos teus
O sorriso se derretendo entre seus lábios
E as lágrimas teimando em invadir seu rosto

Quero deixar as amarras
do lado de lá de nossas intrigas
Enfrentar nossas diferenças
com armas brandas da compreensão

Não queria ver em tudo aquilo
que não gosto, minhas digitais
Seus espelhos estão me machucando
Vejo em minhas críticas
tudo aquilo que não quero ser, enfim...

Antes dos erros
Vem meu desespero
Os medos agrupados
Em destemperos emocionais

A distância que nos separa, nos aproxima
Os possíveis opostos, se igualam
As verdades que outrora permeavam nossa mente
Mentiram descaradamente...

Quanto mais me nego em assumir os encantos
De nossos desencontros
Menos me reconheço
E nesse falso engano que me iludo
Não engana meus mudos minutos sem ti

Te amo
Como se o amor fosse feito
Da sonoridade dos seus beijos
E da imensidão de meus medos

Amor esse
que não se compreende
Ninguém entende
é um Amor assim,
todo nosso....

andi valente