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domingo, 8 de maio de 2011

Devaneios!

Levei minhas armadilhas
recarreguei meus pulmões
sai dos meus armários
revestido com a amargura da derrota
parti rumo ao incerto Dia de decisão!

Nossas batalhas sempre foram duras
palavras intempestivas sugerindo uma indecisão madura.
Razões cobertas de chocolate quente
amanhecidas ao lado do despertador, seis e quinze de uma manhã,
qualquer dia serve como desculpa para adiar o inevitável!

Nossa guerra limpa de sentimentos sujos precisava de um desertor
nossos generais já não traçavam estratégias,
nossos olhos desviavam toda a atenção
éramos desertos cercados de lagos por todos os lados
Decidíamos sempre achar que não seriamos capazes de seguir, sozinhos!

Os nossos traidores sempre se arrependiam depois de uma noite de amor mal dormida
mas a realidade não suportava tanta distância
os recreios eram preenchidos com esperanças sabor criança,
nossa tolerância havia acabado.
O respeito foi colocado na lata do lixo, foi o fim!

Não foram as tentativas que falharam, ninguém falhou
Simples quando um jogo termina empatado
cada um segue seus próprios passos,
os erros são remediados
os errados remendados
e o amor dilacerado segue a procura de um par perfeito
que seja sua morada até o próximo devaneio!

andi valente.

Promessas

Fui ao velho dicionário procurar significados
para meus questionamentos de amores inconstantes
Busco respostas prontas para novos problemas
tempestades que transbordam meus copos de ansiedades

Nossas costas quentes resfriadas no calor de nossos sentimentos frios
nossas equações sem resoluções aparentes
resultados díspares de vidas que não sabem explicar suas coincidências!

Quando tudo parecia ser o que todos queriam acreditar
o descrédito inundou  minhas certezas levaram-me de assalto
todas as convicções e retirou-se você do meu radar.


Como acreditei nas suas incertezas por tanto tempo?

Como não me olhei de frente ante a catástrofe aparente?

Nossas fichas foram apostas certas
errado foram nossos pensamentos
erramos em achar que poderíamos não errar
acreditamos que nos contentaríamos somente com promessas.

Prometemos amores que não tínhamos
Promessas esquecidas pelos ideais de vida
Sofrimentos alimentados constantemente com palavras mudas
Sentimentos sentidos pela negação do amor
beijos perdidos procurando paixão!

As nossas somas não foram suficientes
para diminuir nossa divisões
Multiplicamos nossas intrigas
Resolvemos não resolver nossas diferenças

A decisão em não decidir me fez chegar aqui
Olhar e sentir o quanto poderia ter sido
se não fosse a falta de compreensão!
E as constantes promessas não cumpridas...

andi valente.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Relembra!

Os rochedos encravados no mar do meu peito
ficaram trêmulos ao se deparem com suas ondas,
relembra?


Os riachos logo rolaram ribanceira abaixo
os rostos logo colaram beijo adentro,
relembra?


As fases do seu luar fizeram morada no meu porto
as estrelas do seu olhar mudaram meu discurso morto,
relembra?


As nossas fogueiras foram feitas de vaidades alheias
as nossas brincadeiras eram sempre perfeitas,
nosso humor foi dedilhado no piano de um poeta mistico
nossa história foi descrita com o sabor das melhores colheitas
eu não dizia que te amava...
Eu sentia cada palavra
cada suor exalado
em nossos gemidos gelados,
sentia o suspiro
de delírios profundos
o ardor dos gestos
o  instinto...

Onde você estava que se perdeu do meu olhar?


No meu dicionário
a única descrição para a palavra AMOR é:
AMAR!

Eu amei
só isso que lembro
é isso que respiro,
nessa caminhada ao encontro dos meus venenos
sangro ao som de eternos movimentos
onde bailam sentimentos efêmeros
efemeridades de uma paixão
amores que não se contentam com um fim
que persistem mesmo ouvindo não...
Feliz eu fui
feliz serei
ontem chorei
hoje escrevo
amanhã...

Felicidade serei!



andi valente





domingo, 1 de maio de 2011

Outonos!

Nossa canção ecoa fundo
desfaz da minha sensibilidade
arranca lágrimas  as escondidas
apaga meu sorriso
sussurra ao meu ouvido
momentos que não consigo deixar esquecer!

Noites calmas não eram a dos nossos outonos
loucuras das sobras que me restaram
dos caminhos que percorremos sorrindo,
brasas que se apagaram
sentimentos que vivem incandescentes
prestes a fugir dentro de mim!
Agarro-me a eles como se agarram tesouros
preciso de você em mim,
para saber que ainda existo,
mesmo que o você não preencha mais os nós
da nossa canção!

Segredos que perdemos juntos
paixão que construimos abraçados
nas manhãs de todos os outonos,
palavras que se faziam presentes nos nossos gestos
gostos que se cruzavam apenas com o olhar.

Onde nos deixamos perder?
Onde foi parar a graça do seu amar?
Onde perdemos a tara de nos amar?

Queria não desejar,
queria trilhar as sombras do seu destino
fazer parte de qualquer parte do seu mundo
queria continuar, mas não consigo
como faço para seguir sem o gosto dos seus
beijos?

Se o fim fosse tão claro, porque me debato
com a escuridão que não me faz  perder você!

Saio curando feridas, abrindo crateras,
descobrindo outros mundos,
mas seu cheiro continua aqui
continuo a te querer,
mesmo você, onde quer que você esteja, longe!

Ontem  prometi que o nosso hoje seria eterno
Me perdi.
Continuo procurando um nós em outros outonos
mas além de não te ver,
não consigo me encontrar
não consigo ser metade inteira
que complete outra alma que não seja a sua.

andi valente.

sábado, 30 de abril de 2011

Sou feliz assim!

Eu apaguei as luas que me faziam lembrar  você
as nuvens que nublaram nosso tempo
fizeram eu esquecer o brilho
das minhas próprias estrelas.


Aos sóis que me faziam adormecer atrás do você,
abri minhas janelas para um novo caminho
e que um novo você
pudesse caminhar até mim.


Aos ventos que traziam o sofrimento de nossos tempos,
sussurrei: sou feliz assim!
Pode seguir seu destino, amigo, eu me reconstruo por aqui...


Hoje aos olhos de tantas expectativas frustradas
vejo certezas abaladas como oportunidades a serem conquistadas
vejo um coração cheio de amor caminhando junto aos meus desejos
vejo em meu peito espelhos a espera de novos amores imperfeitos.



andi valente

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Meia lucidez!

Há uma lucidez translúcida
ignorada pelos botões da minha blusa
entreaberta e com o peito desnudo

Eu repito que sou ignorantemente normal
aos olhos dos loucos das varinhas de condão
sou chamado: bobalhão!

Nas sombras das camisolas das velhas senhoras
ou dos calções dos seus equivocados patrões
loucura era pensar em querer ser algo que já o éramos.

Minhas virgens,
pensavam que pecavas na esteira de suas sombras
ou
nas histerias de suas ancas lascivas,
pensamentos descontrolados!

O verso encoberto da verdade me alerta,
eu me equilibrava mesmo
era na fonte de sua energia elétrica.

A revolução dos desesperados fez em minha sua trincheira
os delatores da incompreensão foram morar no meu coração,
eu fui gritar aos surdos de plantão: lúcido era o Pessoa, eu sou Normal!

Anomalias de uma normalidade recheada de marcas caras
transformadas pelas mãos de escultores dos tempos modernos
etiquetados nos armários vazios de sentimentos quentes;
-O tempo é frio e a temperatura vai enriquecer meus neurônios de ideias!

O chocolate derretido pelo azedumo do humor infeliz
só me faz engordar a força dos meus pensadores internos.
-A cabeça gira na gíria dos encantadores de ilusão!

Eu enlouqueço a minha lucidez com meus temperos de alecrim,
desfaço dos acasos ocasionados pelo mal uso do vocabulário
sinto o muito que não fiz por mim, mas não ligo
Sou normalmente um ser anormal
Talvez seja isso que me faça feliz!

andi valente


terça-feira, 26 de abril de 2011

Esquinas dos Erros!

Nas esquinas dos meus erros
descobri
colibris
araras e fantasias deterioradas
borboletas fantásticas
e gomas de mascarar a realidade,
verdades sujas
mentiras límpidas,
adequadas
detalhes não revelados
espíritos solitários
e só li dá ri os,
crenças escondidas
imagens borradas
em borras de café 
figurinhas repetidas,
eu não me vejo aqui!

Nas esquinas dos meus erros
abracei os joelhos da Santa Ignorância
desfolhei meus rosários em lágrimas
pela Santa Incompreensão
agarrei os galhos das inverdades
e não entendi as Sagradas Figuras,
descobri
que não posso descobrir nada além do meu
que não sou nada além do eu
que não quero nada além do meus 
que sou somente meu e de "Sêo" Ninguém.

Nas esquinas dos meus erros
descobri
que errar é humano
e por ser humano não preciso carregar
a culpa pela Santa Inquisição
pelos podres apodrecidos nos porões
não necessito sentar à direita do pai
não necessito esperar à esquerda da gira
posso ficar de pé e andar
com minhas próprias pernas,
olhar o nada e ser feliz...

Nas esquinas
sem os erros
não houveram acertos
nem tão pouco derrotados,
o que houve foram guerras de nervos
incompreendidos, os defeitos,
fomos todos expostos à esfinge do medo,
errado não estavam os que acreditaram nos erros
como eu que não errei
somente experimentei
ninguém errou,
isso endoidou os malucos dos fins dos tempos
alucinou os alucinados,
findaram-se as suposições
o amor foi considerado uma transmutação
e a morte
foi
celebrada
como a evolução...

andi valente.